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Zanzibar, a ilha de especiarias da Tanzânia

“Az de Maracatu no azul de Zanzibar

Alah, meu only you no azul da estrela !
Aliás, bazar da coisa azul, meu only you
É muito mais que o azul de Zanzibar”

Assim cantou o grupo A Cor do Som no final da década de 70.
Não é coincidência que a música fala do azul de Zanzibar.

O azul de Zanzibar é realmente inesquecível. O azul do mar, o azul do céu, o azul da arte, o tal azul do artesanato do bazar.

E também não à toa que Moraes Moreira e Pepeu Gomes falam de Alah. A ilha é realmente muçulmana.

 

Zanzibar é a ilha de especiarias da Tanzânia. Ilha de águas claras, areia branca, de clima quente, de corais e peixes coloridos. É a terra de Freddie Mercury, onde ele nasceu e cresceu.

Na verdade são duas ilhas grandes, Unguja (conhecida como Zanzibar) e Pemba, e outras menores, formando um arquipélago.

Stone Town é o centro de Zanzibar, por onde você chega e o local mais visitado da ilha. Era um dos centros do comércio e troca de especiarias e produtos no século 19, um dos principais da África.

Em Zanzibar você escuta musica taraab (também conhecida como musica swahili de casamento), toma chá com especiarias, anda pelos labirintos de ruas de terra, aprecia a arquitetura árabe com minaretes e prédios decadentes. Você ouve as chamadas das preces islâmicas, fotografa as famosas portas esculpidas à mão, e vê uma vida preservada com costumes intactos, de séculos e séculos adentro.

Apesar de turística, a ilha não é um playground de resorts com infra estrutura pra tudo e todos. Esqueça isso.

Não tem nada limpinho e pronto pra te receber.

Vá, mas vá sabendo que como os hábitos e costumes milenares ainda imperam, os taxis são antigos, a rua é suja, o mercado idem (além de caótico) e o povo além de encarar, te adula pra comprar alguma coisa.

Vá, mas vá sabendo que não tem uma legião de funcionários esperando a sua chegada. Talvez o transfer do seu hotel e acabou.

O povo transita pelo alastramento insalubre, vivendo seu dia a dia, levantando poeira do chão, mulheres cobertas, moscas voando (ou melhor, perturbando), vendedores de tudo, sem prestar muita atenção aos turistas, a não ser os que tem algo pra oferecer – visita guiada, aluguel de scooter, hotel de última hora…

Mas Zanzibar também tem praias intactas de águas transparentes, comida étnica com sabores que misturam os árabes aos indianos e uma arquitetura pra se apreciar.

Zanzibar oferece um clima e sabor do leste da África com sua autêntica mescla – swahilis, indianos, muçulmanos, africanos, cristãos…

Você vai ouvir com freqüência “Jambo! Karibu!” ou “olá, seja bem-vindo!”.

É um povo amistoso e hospitaleiro, mas também vi com frequência a segunda intenção de sempre querer te vender algo. Uma hora cansa. Brasileiro também é malandro, mané. Só gringo mesmo pra cair na conversinha. Então, olho aberto sempre, sem perder a ternura e sem perder o jogo de cintura de também dizer olá, obrigada e seguir adiante.

 

Um pouco de história:

Comerciantes persas usavam a ilha como base e ponto de comércio entre suas viagens entre o Oriente Médio, Índia e África no século 13.

Vasco da Gama chegou em 1498 e com ele a influência européia. Ele achou árabes morando ali. Em 1504 Zanzibar fez parte do Império Português.

Em 1631 houve um massacre de europeus e o sultão convidou os árabes de Oman para tirar os estrangeiros.

Em 1698 Zanzibar fez parte do Sultanato de Omã, por isso prevaleceu a cultura árabe.

Eventualmente Zanzibar se integrou ao Império Britânico.

 

 

Mas chega de história, agora vamos ao que interessa, o que fazer em Zanzibar:

As praias mais bonitas estão no norte:

Nungwi e Kendwa, ambas ficam a 1 hora e meia de carro. Você pode ir de taxi (negocie, mas quase sempre custa US$40 pra chegar lá) ou alugue uma scooter.

Tem gente que vai direto pra ilha de Pemba e fica por lá, onde as praias também são lindas.

O que fazer em Stone Town, Zanzibar:

Ver o pôr do sol no Baboo Café. É simples, mas é aberto, na beira do mar, perfeito pra ver o pôr do sol. Tome um chá com especiarias.

Visitar o Museu do Palácio ou Palácio do Sultão na beira da praia na rua Mizingani.

Ver a arquitetura e o mercado no The Old Dispensary. A arquitetura é bem mais interessante que o mercado. É um dos prédios históricos de Stone Town, também na beira da praia, do lado do Museu do Palácio. Na minha opinião, é o prédio mais bonito da cidade.

Visite os mercados:

De dia tem o Darajani e o Forodhani. Sujos, caóticos, mas intrigantes, com frutas, verduras, especiarias, de tudo um pouco.

 

A noite tem o Night Market ou Fish Market, vendendo frutos do mar. Boito, mas coma “at your own risk”.

A casa onde Freddie Mercury nasceu é um bar hoje em dia, mas bem tosco e turístico.

 

Aonde comer em Stone Town, Zanzibar:

The Passing Show

Um restaurante NADA turístico, frequentado por locais, em frente ao antigo cinema (preste atenção à arquitetura do cinema). Bom pra comer pilau (arroz com especiarias e alguma carne ou frango). Fica perto do posto policial de Malindi, saindo do porto.

 

Café at Emerson Spice
Tharia Street, Kiponda, Stone Town

Restaurante do hotel boutique homônimo, com temperos locais preparados com criatividade.

O hotel é lindo e o restaurante oferece pratos mais “gourmets”. Tem um pátio na cobertura com vista, ótimo pra ver o pôr do sol. Tome drinques na cobertura ou reserve pra jantar, mas tem que ir.

foto: divulgação

 

Monsoon
Hurumzi Street, Stone Town

Restaurante de comida africana no centro de Stone Town, perto da praia. Bom pra almoço ou jantar (algumas noites tem musica taraab ao vivo). Tem uma varanda pra sentar do lado de fora, é agradável, mas leve repelente.

 

Uma curiosidade:

O nome Zanzibar vem de Zinj ib Bar que significa terra de negros em árabe, provavelmente por conta do comércio de escravos no século 19.

 

Como chegar em Zanzibar:

Você tem 2 opções: de ferry ou de avião, saindo de Dar es Salaam, capital da Tanzânia.

De ferry são 2 horas e é quase sempre lotado, mas você vê o mar, os barcos, os pescadores, quem sabe até o pôr do sol, e claro, é mais barato, mas é aquela “muvuca”.

De avião são 20 minutos, mas o avião é pequeno, daqueles que cabem 12 pessoas e é mais caro. Custa por volta de US$100 por pessoa.

 

Onde ficar em Zanzibar:

Tem de tudo, de hotéis à albergues.

Em Stone Town:

O Serena é um hotel de luxo, uma rede que tem várias propriedades na África e fica no centro de Stone Town.

O Emerson Spice é um hotel boutique bem bonito. É um labirinto até chegar lá.

O Jambo Guesthouse é uma opção super barata (US$30 para quarto duplo) e é decente.

 

Nas praias:

O luxuoso The Residence, parte do grupo The Leading Hotels of the World, fica em Kizimkazi, no sul da ilha, há 1 hora de carro de Stone Town.

Tem um Double Tree resort no norte da ilha, na belíssima praia de Nungwi.

 

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