Ásia

uma carta para a Índia

Querida Índia,

Nenhum país me desafiou tanto quanto você.

Nos últimos dias meus sentimentos jogaram um verdadeiro cabo de guerra. Não sei se te amo ou te odeio.

Sei que te devo outra oportunidade, mas por enquanto, preciso jogar o meu pranto, extrair o meu grito.

Vejo um deficiente ou pedinte sendo expulso como uma mosca e penso – você é desumana.

Vejo uma pessoa que não tem nada ajudar de alguma forma alguém que tem tudo e penso – você é humana.

Todo o mundo, do mais rico ao mais pobre, do mais culto ao mais ignorante, tem algo pra ensinar.

Todo dia me encanto com sua arte, arquitetura, história, cores, lendas, e crenças. Em seguida me invade uma tristeza ao ver tantos antídotos.

Jamais vi tantos contrastes.

Jamais vi um colorido tão vibrante.

Seu misticismo me lembra o sincretismo da minha Bahia. As diferenças me lembram o meu Brasil. Mas em tantos outros modos, você é tão diferente. Principalmente no quesito limpeza.

Vejo sorrisos no meio da indigência. Me animo. Aqui o povo tem sorriso.

Este é só o começo.

Depois de uns dias, vem a frustração com o povo. Seus funcionários e prestadores de serviço não sabem dizer não. Você sabe aonde é? Sei. Só que não. Tem esse prato? Tem. Só que não. Você sabe por que isso? Sei. Só que não.  Não sei se é pra agradar, questão de honra, ou talvez com sim você queira dizer não, como a balançadinha de cabeça que pode ser sim, não, talvez, claro que não, claro que sim.

Li que suicídios são comuns aqui. Mulheres se enforcam com seus xales, porque a filha casou com um rapaz de outra religião ou casta, jovens forçadas a casamentos indesejados, viúvas que são consideradas azarentas e má sorte até de olhar e vivem no ostracismo, mulheres abandonadas pelo marido que já não valem nada. Você, que tanto mostra a morte, fez o tabu do suicídio parecer amenizado, ao menos ao meu olho nu. Ao saber dessas histórias, carrego toneladas na cabeça e nos ombros.

Mas ao ver seus lagos repletos de flores de lótus, me sinto leve, te vejo delicada.

Saio de uma das construções mais belas que já vi e sou tocada por uma moça. Levanto meu olhar e vejo pescoço, braços e mãos com peles derretidas, cicatrizadas de queimaduras.  Um bebê de cabeça pendurada dorme nos seus braços. Este é o primeiro caso de queimadura de dote que testemunho, situação onde a mulher sofre um “acidente” na cozinha por que seu marido ou sogra querem mais dinheiro de um dote e tentam matá-la para consegui-lo. Se a mulher morrer, o marido pode casar novamente e ganhar outro dote; se a mulher sobreviver, ela viverá vergonhosamente na rua como um produto que já não serve mais. Pode ter sido outra queimadura qualquer. Mas neste momento, te odeio.

Querida Índia, a minha vontade é de chorar, gritar, tamanho meu choque, fúria, tristeza, pena… Mas há tanta gente me olhando, me tocando, pedindo dinheiro, vendendo um livro ou uma bijuteria barata. Você não me dá espaço físico nem mental pra demonstrar minha ira. Entro no carrinho de golfe que sai do Taj Mahal, abaixo a cabeça e respiro fundo.

Em todo lugar tem um mar de gente pedindo, mendigando, implorando, precisando, miséria, sujeira, nudez.

Querida Índia, minha trilha sonora pra você é Madredeus, que tanto ouvi pelas ruas do seu avivado Rajastão. Me dava uma paz e sincronizava com a coreografia dos corpos, mãos e olhares pedintes que se aproximavam de mim ou da minha janela.

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Parece que tudo tem uma camada espessa de poeira. Mesas, cadeiras, chãos, estantes, livros, portas e tapetes são cobertos por um pó escuro.

No final do dia, meu desejo é deixar a água do chuveiro não só tirar a pasta marrom do meu corpo, que adquiri só de andar pelas ruas, mas me reenergizar de tudo o que testemunhei.

No final de cada dia, me deito, relembro, medito e regurgito mentalmente sobre o que vi. São praticamente vômitos mentais sobre pessoas me encarando, pedindo, fazendo sinal de comer ou de dinheiro, criaturas esqueléticas com bebês dependurados, empurrões, suor, calor, me esquivando de vendedores e de merda de vaca, lixo, poluição, multidão, performances de pena, homens urinando na rua, cuspes, arrotos, flatulências, escarros em público… Tudo isso depois de ver um lindo templo, um palácio encantador, ouvir histórias envolventes de crenças e deuses.

Não sei se te amo ou te odeio. E quando odeio, me odeio por odiar. Por ser tão mimada, acostumada com o limpo e o confortável.

Estou mexida, movida, tocada, até o meu mais profundo âmago.

Sim, já ouvi o mantra milhares de vezes que Brahma é o criador, Vishnu o organizador e Shiva o destruidor, mas está tudo muito confuso nesta grande empreitada dos deuses.

Mas falando em deuses, me admira e até gosto do fato que aqui os deuses não precisam ser perfeitos para serem venerados, poderosos e influenciadores. Shiva fumava maconha, comia carne e vivia meio “young, wild and free” (refrão de uma musica que diz “jovem, selvagem e livre”. Brahma mentiu e foi punido pra sempre, por isso ninguém reza pra ele.

Vishnu parece mais interessante no meio de minha confusão mental. Ele parece ser mais calmo de todas as lendas que escutei até agora. (Mas ele deve ter aprontado alguma).

Sendo advogada do diabo, reconheço que o hinduísmo é uma religião, ou forma de viver, como você diz, mais liberal. Comparando com o islã, não é quase nada autoritária. Aparentemente qualquer um disposto a largar sua família para estudar, fazer ioga e meditar pode virar sadhu. Tem aqueles que só se vestem como tal e coletam trocados de turistas. Como saber a diferença? Por enquanto sigo fotografando.

Querida Índia, você me rendeu belas imagens. Obrigada.

O hinduísmo parece aceitar muitos, ou todos. Pelo visto, tem sadhus e gurus de diferentes cores, raças e nacionalidades. Me encolho. Me apequeno. Me julgo. Será que o hinduísmo aceita mais do que eu?

Querida Índia, você me invadiu.

Sinto falta de silêncio, espaço, reflexão – luxos que até então não valorizei o suficiente. Entrar no carro com ar condicionado, voltar para o quarto de hotel, por mais limpo que seja,  não me dão paz física nem mental. O jeito é encontrar paz no único lugar possível na Índia, creio eu. Dentro de si mesmo.

O Budismo nasceu na Índia, mas os ensinamentos dissiparam com a chegada violenta dos muçulmanos. Ok, isso rendeu lindas construções de palácios e mesquitas, mas foram invasões, no final das contas. Alguns ensinamentos e técnicas estão espalhadas em ashrams, templos ou casas. A história de Buda é envolvente. Mas os hindus depois alegaram que ele é uma encarnação do deus Vishnu, para não perder fieis. Me desaponto.

Querida Índia, seu cheiro é peculiar.

Uma mistura de cheiro de humanidade, o suor no calor, os pés descalços nas mesquitas, o curry, a cebola frita, chili, cuminho, gengibre, masala, chutney, vaca, chá, lixo apodrecendo, fumaça, esgotos fétidos, gasolina queimando, que de vez em quando é interrompido por um jasmim que corro pra enterrar o meu nariz, ou um incenso.

No final do dia sinto o cheiro da minha alfazema e da minha liberdade. Suspiro aliviada.

Pergunto a um e outro “você é feliz?” “Yes, madam (sim, senhora), não se preocupe, o povo aqui é feliz, não temos outra opção.”

O que você diz é que nós, ocidentais, olhamos para as pessoas que têm mais do que nós e pensamos “por que não tenho isso, por que não sou isso?”, já vocês, olham para os que tem menos e agradecem por não ser como eles, por ter o que têm. Ou seja, pobres infelizes, somos nós. Não sabemos o segredo da felicidade. Reflito.

Olhamos revistas e babamos por um corpo que não temos, olhamos uma bela casa na beira da praia e o olho arregala, escutamos na mesa de bar sobre a vida do outro e apoiamos o queixo na mão. Reflito mais um pouco. Será que você tem razão?

Querida Índia, você me desafiou.

Aqui a miséria é uma ferida aberta, ela é intensa, como um tapa na cara. Mesmo morando no Brasil, no dia a dia, a destituição é mais no jornal, na internet e na TV. Posso desligar. Aqui, não importa onde eu vá, ela está lá e vem até mim. Ela me toca fisicamente, mentalmente e espiritualmente. Quero ajudar, mudar, mais como? Se eu der um trocado pra cada um que me pedir, é melhor fazer um orçamento à parte. Sinto-me culpada por não dar nada. Mas se eu der, me sentiria culpada por não ser o suficiente. A culpa vai e vem. Por eu ser privilegiada, por estar na posição de doadora e não de pedinte. Por ter o que dar. Por querer algo mais. Será que valorizei o que tenho o quanto deveria?

Mais do que culpada sinto-me confrontada, desafiada.

Querida Índia, você quer me derrubar, me tirar do prumo, me chacoalhar.

Me entrego então. Você ganhou.

Além da culpa, tem a raiva, pela injustiça, pela desigualdade. Eu tenho, outro não tem. A sua crença do carma diz que devo aceitar a minha realidade, pois mereço. Mas não sei se aceito.  E se aceito, espero por um entendimento melhor.

Apesar do calor que me faz suar por todo e qualquer poro, você me faz cobrir meu corpo. Calça, mangas, quero me esconder dos olhares ora curiosos, ora invasivos. Não sou de me vestir ousadamente, mas aqui preciso de mais camadas. Se tivesse um traje de bolha, usaria. Me cubro, pois é a forma de render-me ressentidamente. Seus homens não param de me encarar. Ainda bem que tenho Gu ao meu lado pra encará-los de volta, amenizando. A postura dos homens deveria mudar ou deveria me cobrir? Sabemos que não mudaram, então me protejo. Ah, se o desafio fosse só o de passar calor e suar profusamente.

Querida Índia, você também me encantou.

Gosto do som do OM, e incorporo-o. Conhecida como a primeira palavra do universo, ela engloba tudo – Brahma, Shiva e Vishnu, a vida, o mundo, natureza, o propósito. É a vibração da prece e da meditação.

Mas, querida Índia, muitas vezes não te compreendo.

Não vejo bom senso em banhar-se nas águas fétidas e podres do Ganges. Algumas gotas desta água são levadas ainda para debaixo da língua dos mortos. Mas quem sou eu pra ver nexo? Religião teve coerência alguma vez? Julgo-me outra vez. É só acreditar. Estou descrente? Ou menos crente?

Ver corpos sendo cremados na beira do Ganges foi intenso. Mal conseguia abrir os olhos por conta da fumaça. Um senhor me diz que mulheres não assistem à cerimônia, pois deve ter silêncio, e as mulheres sempre choram. Não sei se protesto ou se concordo. Em todo caso, aceno com a cabeça que sim. Vejo de cima, o que me da curiosidade de descer, mas ao mesmo tempo não quero chegar tão perto. Tenho medo de ver o corpo de um bebê. Aqui bebês não são cremados, o corpo no Ganges garante uma vaga no céu. Não sei se continuo observando a cremação ou se presto atenção na quantidade de lixo. Penso comigo mesma, ainda falta muito desapego em mim. Ou vocês são desapegados demais.

Você alega que não é o rio que é sujo, é a minha mente. Novamente não sei se protesto ou se concordo. Prefiro permanecer calada. Só sei que vai demorar pra entrar nesse rio, talvez só na próxima. Na próxima encarnação.

Reflito incessantemente. No catolicismo que cresci nosso criador é salvador e julgador. Mas está dentro de nós. Me apego a isso.

Seu sistema de castas, tido como ilegal, mas ainda praticado socialmente me dá verdadeiro asco. Esse fenômeno cultural, social e mental me parece desprezível. Vem a voz de meu pai “você tem que entender a antropologia das pessoas”. Me custa muito entender sua antropologia. Você diz que os Dalits, ou intocáveis, estão no fundo do poço da sociedade e do caminho espiritual. Quero saber em que manual está escrito esta injustiça.

Buda era um hindu de alta casta, Brahmin, que rejeitou esse sistema como um todo. Largou mulher e filho e saiu para buscar seu caminho através da meditação. As invasões muçulmanas tentaram erradicar o budismo, mas existem forças para revitalizá-lo na Índia, não só pelo guru e líder espiritual refugiado, Sua Santidade, o Dalai Lama, mas também pela casta baixa. Algum recado está sendo mandado. Querida Índia, receba-o.

Apesar de ouvir muito Om Shanti, e tentar ver além do material, sujo, e físico, que existe todo um “shanti” em você, me bloqueio. Shanti, a palavra em híndi para paz, é uma espécie em extinção por aqui. O barulho, as buzinas insuportáveis, o cheiro, a visão da sujeira, a invasão, o confronto – tudo me faz esquecer do “shanti” que ando buscando.

Se tantas pessoas vêm até você para limpeza, iluminação e busca, por que me sinto tão desassociada? Lembro da terapia. Será que tentamos preencher dilemas intermináveis? Vagos? Se tem uma coisa que não me sinto é vazia.

Querida Índia, apesar do desafio constante, dos inúmeros contrastes e contradições, não direi adeus, direi até a próxima.

Namaste.

61 thoughts on “uma carta para a Índia

  1. Wow! Lindo, profundo , tocante… . Como só vc sabe descreveR. Deu uma angústia Imensa ler esse post, nem imaginO como seja presenciar ao vivo.
    Clap, clap, cLap.

      • Lindo. Lágrimas escorreram dos meus olhos. tentei imaginar cada descrição que você deu, mas tenho certeza de que ao vivo a sensação é completamente diferente.
        parabéns pelo texto. como a cláudia escreveu, lindo, profundo e tocante.

  2. Minha querida sobrinha, lagrimas escorreram sobre o meu rosto chegando a atingir o peito, e os meus lábios abriram-se em sorrisos ao ver o quanto tocante foi o se comentário. até agora não consigo descrever como me senti. orgulhoso de você e angustiado pela realidade por você vivida.

  3. Té querida,
    Voce me levou de volta à india com O seu texto. Os sentimentos voltaram de forma angustiante e AliviadoUra Ao mesmo tempo. As concLuSoes Nao servem em Viagens como essas….voce Esta certissima. Volte a india e redescubra seus sentimentos. Ela eh maravilhosa pelo meto fato de nos Forcar a viver intensamente longe do nosso conforto e refletir sobre tudo que pensavamos saber e entender. Seu texto foi conmovente e Espiritual….obrigada por suas palaVras!! Estou louca para trOcarmos ideias em pessoa! Beijao

  4. Amiga, que texto profundO e Emocionante. Atraves do seu relato, comprovei o meu Receio de conhecer a India. Nao temos como nos preparar menTal e eSpiritualmEnte para Receber tudo isso. Tenho certeza que esse lugar muda as pessoas, em algum
    Nivel. ConTinue Na sua
    Jornada, nos inspiranDo a caDa foto e post Transbordando sua
    Linda e iluminada essencia.
    Mil bEijos!

  5. Prima, estou muito tocada com suas palavras e vejo que apesar de tudo que temos de ruim aqui no nosso País, devemos olhar com outros olhos tudo o que temos de bom e devemos valorizar muito!
    Muito orgulhosa de vc!

  6. VOU REPETIR O QUE DISSE NO TWITTER: PARABÉNS! EMOCIONANTE! SEU TEXTO, SUAS FOTOS, SUA SENSIBILIDADE EXPRESSAM O QUE EU IMAGINO DA ÍNDIA, UM DESTINO QUE SEMPRE TIVE MUITA VONTADE DE CONHECER , POUCO SE FALA E MUITO SE TEME. É ISSO QUE FALTA AOS BLOGS DE VIAGEM ATUALMENTE: EMOÇÃO! CAPACIDADE DE ENVOLVER O LEITOR, NÃO APENAS TRAZER INFORMAÇÕES FRIAS E PONTUAIS, MAS POSSIBILITAR REFLEXÕES COMO A SUA. EXCELENTE! UM GRANDE BEIJO, VANESSA.

  7. Adorei o post, Adriana.
    VENHO ESTUDANDO E VIVENCIANDO O TANTRA, QUE INSPIROU O BUDISMO E QUE FAZ PARTE DA HISTORIA DESE PAIS DE CONTRASTES. ALGO ACONTECEU NO CAMINHO E NAO CONHECO A HISTORIA DA INDIA O SUFICIENTE PARA SABER O QUE FOI.
    MAS EH TRISTE VER QUE UM POVO QUE JA TEVE NAS MAOS O SEGREDO DA FELICIDADE PERDE-LO NO TEMPO … NAMASTE

  8. Que bien Reflejas a India. Y que difícil resulta manejar todas esas emociones dentro. Realmente asusta saber qUe ese Mundo es más real que el nuestro.

  9. OI,QUERIDA!
    MUITAS SAUDADES!
    IMPRESSIONANTE, SEU TEXTO TÃO SINCERO E SUPER , SUPER, SUPER COMOVENTE!
    IMPRESSIONANTE, SUA DETERMINAÇÃO ÍMPAR!
    IMPRESSIONANTE, VER VC TETÉ, MENINA-MULHER LINDA, DOCE E CARISMÁTICA, CONQUISTANDO SEM MEDO ESSE MUNDÃO, TÃO DÍSPAR, DE MEU DEUS!
    QUE VC SIGA SEU CAMINHO DE CONHECIMENTO E BUSCA E VOLTE LOGO PARA NOS CONTAR TUDO EM DETALHES!
    VAI TER QUE TER LIVRO, PALESTRAS, ETC…
    EM FORTALEZA EU ORGANIZO!
    MUITOS BJOS MINHA LINDA E MUITO ORGULHO DE SER SUA TIA

  10. Meu amor, você consegue nos emocionar com suas escritas, tocou lá no fundo da alma ,parece que estamos vivendo aqueles momentos com você.
    Lembrei de sua vó Corina que lia muito sobre a Índia e passava para nós como se ela já tivesse feito esta viagem que nem você e era exatamente como fala na carta. Minha sobrinha você parece que não é deste mundo, cada dia te admiro e me orgulho de você . Que Deus te ilumine e abençoe e proteja por este mundo. Sucesso neste lindo trabalho. Te amo. beijo no seu coração. Tia Angela

  11. Excelente. objetivo, direto, profundo, claro e rico nos detalhes sensitivos que faz o leitor senti ao ler. senti os aromas, seja dos perfumes, seja das sujeiras, senti o exótico, senti o lírico, senti a alma e o sentimento do seu povo, senti as delicias e os horrores, senti o místico, senti a realidade.
    provoca visitar, provoca evitar.
    faz pensar. em tudo. na existência nossa de confortos e afortunados que somos, como faz refletir na miséria social e humanitária que fartamente existe no mundo.
    e, nesse sentido da miséria social, faz refletir que, nada é peculiar e exclusivo da índia. temos a índia aqui, e temos a índia all over.
    parabéns pela “carta à índia”.
    ela é uma peça importante para muitos que precisam refletir sobre a essência da vida. me tocou. e refletindo estou. admirável. :)…

  12. Minha linda e amada afilhada, emocionante .

    Por mais que agente queira imaginar ,essa sua experiência Ta dificil. De assimilar. Mas o certo é que estou orgulhosa de sua coragem de sua sensibilidade. Sua força interior , sua espiritualidade pois so sendo ser evoluído como diz Poli É capaz de realizaR tamanho trabalho.

    Parabens por esse ser humano especial Que voce é.

    Haja hereditariedade,vó Cora está vibrando.

    Beijo no coração Deus te proteja.

  13. Minha Tetezinha, tão pura e doce e Ao mesmo tempo um espirito velho, maduro. Busca respostas e explicações. Quer entender para ajudar, salvar. Mas filha A vida é assim.tudo tem sua razão de ser. Não é determinismo e sim espiritualismo. Cada lugar que vivemos, o que temos e como temos É o nosso carma. Pode ser merecimento, arrependimento, vontade de compensar o que fizemos em outras vidas. Por issotanta idiossincrasia , tanta diferença, tanta coisa para se pensar simplesmente e perguntar: Deus é justo? Sim , ele é. Nós é que não somos.

  14. Oi Tete
    Profundo e verdadeiro seu texto.
    sempre me pergunto se um dia irei a Índia , se terei condição e discernimento para tAnto. Esta questão de desigualdades de casta, sexo é pesada para mim.
    O Gui esteve aí ano passado e curtiu .
    Como espero ver muito do mundo ainda, quem sabe não piso neste solo superpovoado.
    Beijão se cuidem e continuem a compartilhar imagens textos e sensações .
    @Gusbelli

  15. Estou indo para a India em Inicio de novembro, estou lendo livros, assistindo filmes sobre a india, como também desbravando os blogs de viagens, ou mesmo pesquisando pela internet, mas de tudo que li e vi, não havia lido algo tão próximo de minha OPINIÃO sobre este país, mesmo sem conhece-lo ainda! Sua narração foi para mim fantástica! Obrigada e parabéns ! Prazer! Bjsssssss

  16. Tê! suas palavras foram tão profundas e vívidas que a sensação foi de estar vivenciando os conflitos emocionais junto com você. fiquei emocionalmente tocada e uma angustia profunda se estabeleceu, questionamentos sem respostas não saem de minha cabeça. porque os povos mais antigos continuam agindo como se na idade média estivessem? porque a sede de poder dos homens, sobre seus semelhantes, continua tão forte? porque tanta intolerância e descaso com os mais fracos? somos omissos? podemos fazer algo para mudar? quem é responsável por isso? rsrsrs perguntas, perguntas, perguntas quem poderá responde-las? que experiência única! que ela seja o seu encontro com você.
    bjs

  17. Teté que texto! acho que voce nao poderia ter sido mais sincera nas suas palavras. de tudo que já ouvi sobre a india, acho realmente que não é só um país mais um mundo inteiro a parte. diferenças culturais, religiosas, historicas, sociais, tudo diferente de tudo o que conhecemos, talvez por isso choque tanto mas ao mesmo tempo gere tanto interesse. Talvez a melhor conclusão pelo país é não chegar a conclusão nenhuma… espero um dia ter a chance de ver tudo isso, esse todo diferente de perto também.
    Obrigada por compartilhar suas fotos e impressões.
    bjus

  18. SEu lindo post só me confirmou que eu não estou preparada para a índia. Não sei se um dia estarei e às vezes me recrimino por isso. Te admiro por conseguir tirar dessa experiência uma linda poesia. Beijos!

  19. WOW… Acho que você descreveu uma india que tenho em mente… e acho que é por isso que ainda não tive coragem de visitá-la, pois tenho medo de não saber receber o que ela me oferecerá!
    Seu texto é lindo, como um grito de desespero, aquela angústia de querer entender algo que está além do entendimento… lindo! parabéns!
    como trabalho com muitos indianos, talvez alguns costumes eu entenderei mais fácil, mas sinceramente, é tão estranho e acolhedora a cultura indiana, né?
    Confesso que seu post me deu vontade de largar tudo e vivenciar toda essa loucura… nossa incrediable india! :)
    bjos

    • PUXA, COMO FOI PROFUNDO SEU DEPOIMENTO TETE…EU TAMBÉM VENHO ME PREPARANDO PARA A “EXPERIÊNCIA” INDIA, MAS CONFESSO QUE AO LER SEU DEPOIMENTO, PARAECE QUE EU ESTAVA LÁ COM VOCE, POIS IMAGINO A INDIA EXATAMENTE ASSIM…CONTINUE DESCREVENDO ASSIM TÃO BEM O QUE OS SEUS OLHOS VEEM E O SEU CORAÇÃO SENTE! VALEU!!!! MARIZA

  20. Seu relato é a experiência curta de uma vida, sinceramente não sei se estou pronta pra passar por essa experiência, mas agradeço cada palavra, cada foto e o relato que compartilhou conosco dessa expedição sem precedentes.

  21. Querida Tete,
    Que texto lindo. Me levou direatemente a Índia. Posso somento imaginar a angústia q eh sere privilegiado diante de tanta tragédia. Tenho certeza q eles acham felicidade onde nós não achariamos, mas isso não nos impede de ser críticos de que há maneiras mais humanas e menos dolorosas de achá-la!
    Bjs
    Arthurzinho

  22. Como disse, ninguém sai indiferente da India. Acho que nem mesmo descendo de helicóptero no Taj Mahal e voltando direto para casa. Lindissma sua carta, Teté. Eu cheguei primeiro em Varnasi, nem preciso dizer nada. Passei as primeiras horas em choque, me odiando, para depois cair de amores pelo país. Quero muito voltar e conhecer outras cidades, principalmente do Rajastão. Amando acompanhar essa sua viagem, tá linda demais!

  23. Teté, tinha te retuitado, mas não tinha ainda encontrado tempo para deixar também aqui meu registro: lindo e emocionante depoimento. aumentou ainda mais minha infinita vontade de conhecer esse país tão polêmico.

  24. AMIGA, SEU TEXTO É MARAVILHOSO. TUDO QUE SEMPRE IMAGINEI ENCONTRAR, CASO FOSSE À ÍNDIA. IMAGINO COMO VC DEVE TER SE SENTIDO, POIS ACHO QUE SENTIRIA A MESMA COISA. JÁ SINTO AQUI UM POUCO, QUANDO VEJO A INJUSTIÇA SOCIAL QUE HÁ NESSE PAÍS… MAS COMO DIZEM POR AÍ, ASSIM É A VIDA E TEMOS QUE ACEITÁ-LA. CLARO, FAZENDO NOSSA PARTE, MAS PENSANDO QUE TUDO TEM UMA RAZÃO MAIOR. TENHO MUITO ORGULHO DE SER SUA AMIGA E SABER QUE VC TEM ESSA SENSIBILIDADE, CAPAZ DE QUESTIONAR UMA CULTURA TÃO FORTE COMO ESTA. É ISSO AÍ! CONTINUE SUA JORNADA QUE UM DIA TALVEZ VC ENCONTRE TODAS ESTAS RESPOSTAS. E SE ENCONTRAR, COMPARTILHE! ESTAMOS ANSIOSOS POR SUAS DESCOBERTAS!!! UM BEIJO ENORME E NAMASTÉ.

  25. Essa india deve ser a india de verdade, parecida com a gente, por isso que encanta e desencanta. Deu mais vontade de conhecer. Boa viagem pra vcs!

  26. Amei, amei e amei! Um dos melhores blog entries q ja li. Como muitos FaLaram AQUI, acheinq tabs prepared a para connected a India, mas parEce q nao.espero AiNda um DIA ir. espero anciosamente sue liVro hahahaha bejoooo

  27. Tete, , soh hj pude ler inteiro . Quantas experiencia incRiveis que estao Fazendo voce mais mulher e mais sabia. .viver eh isso…. Ousar! Ser feliz …eH vIver bem o momento. Voce faz tudo isso com louvor! Beijos.

  28. ,ola, tete .
    conversando com uma amiga(priscila reis), a respeito da minha duvida em conhecer ou nao a india em setembro, ela me indicou o seu blog ! o seu texto e maravilhoso e expressa exatamente as minhas duvidas e angustias ! parabens !!! mas a minha surpresa foi descobrir que conheci voce ainda muito pequena !!! moramos no peru na mesma epoca … eu bem mais velha que voce . ao ler os comentarios , li o de sEu pai e sua mae e fiz a LIGAÇÃO! MUITO BACANA … PARABENS PELO SEU BLOG !!!

    • oi Daniela, obrigada! nossa, que mundo pequeno! vamos nos encontrar anos depois então :) vou postar sobre a viagem na Índia, qualquer dúvida, me mande email. beijo

  29. Realmente eles não sabem dizer não! isso é muito confuso mesmo… estou me organizando para conhecer esse país ano que vem. Tenho contato direto com pessoas de várias partes da
    Índia pois trabalho numa empresa indiana. Um sonho antigo de conhecer esse lugar me veio muito mais forte quando passei a conviver um pouquinho com a cultura. Seu texto é magnifico.
    Preciso reler. e definitivamente preciso viver isso! obrigado o por compartilhar seus sentimentos, sua experiência… um pouco da sua vida

  30. discordo da parte que diz que o hinduísmo não é uma religião autoritária. Porque é. Muito. O bramanismo é responsável, inclusive, por muitas das coisas que você viu e que te revoltaram. também discordo da parte que diz que qualquer um pode ser hindu, pois é uma das religiões mais fechadas do mundo. fora isso, achei suas reflexões etnocêntricas e dou toda razão ao seu pai, pois sou antropóloga. :-) Reflexões etnocêntricas, porém reflexões. e refletir é bom. espero que não leve o meu comentário a mal. Um beijo.

  31. Pingback: Querida Volta ao Mundo, foi um prazer conhecê-la Viajando com Eles

  32. Adorei o teu texto! vou pra índia daqui a uns dois meses, estou no laos agora, na minha volta ao mundo. Já tenho grandes expectativas,, e ler isso me fez esperar ainda mais… Parabéns e obrigada

  33. Quando decidimos conhecer algum pais mundo afora Logicamente que primeiro pesquisamos a respeito do lugar, o que tem de interesante para se conhecer, hospedagem, modo de vida, comida etc. etc. nao e verdade? eu gostaria de saber se antes de vc decidir ir a India nao pesquisou a respeito para quando la chegar nao ter a surpresa de se deparar com vômitos mentais, pessoas te encarando, pedindo, fazendo sinal de comer ou de dinheiro, criaturas esqueléticas com bebês dependurados, empurrões, suor, calor, tendo que se esquivar de vendedores e de merda de vaca, lixo, poluição, multidão, performances de pena, homens urinando na rua, cuspes, arrotos, flatulências, escarros em público… Tudo isso com o contraste de um lindo templo, um palácio encantador, onde podem ser ouvidas histórias envolventes de crenças e deuses. inFelizmente isso e a unica coisa que os turistas enchergam e contam quando voltam de la, so tinha miseria e mais miseria e a unica coisa interesante para se ver e o Taj Majal. A India para os que nao conseguem enchergar um pais alem da sua miseria e um pais incrivel que da de 10 a 0 no nosso Brasil.

  34. lindo texto. Me senti lá, lembrando dos sabores picantes, das beleza das cores, da feiúra da sujeira, do caos das buzinas e do silêncio interior. A Índia é assim, um dualismo em ebulição, todo o sentimento do mundo ao mesmo tempo. Mexe com os brios, com a carne e com a alma. Fiquei com mais vontade de voltar.
    amei o site. Parabéns! Virei fã.

  35. Amei Tete… Viajei com sua carta por alguns minutos… Vc tem que escrever um livro com toda essa sua experiência!!! Gostaria de saber de todas!!! Bjo grande, Bi

  36. Querida tete,
    A gente não se conhece, cheguei no seu texto através de Um amigo que me passou o link. lindíssimo texto, muito bem esCrito, e representa muito bem experiências e sentimentos que vivi na índia, moro aqui há 3 anos, Em uma semana encerro mEu ciclo por aqui. Concordo com praticamente tudo, e em 3 anos posso dizer que aLgumas coisas ficam mais fáceis, mas outras sempre serão um desafio.
    No final do seu texto, vc menciona sobre shanti. . Isso eu posso te afirmar com clareza que a shanti existe. No brasil temos uma idéia de que paz está associada a silêncio, limpeza, branco, yoga. Tem muita gente que vem para cá e se frustra, pois não consegue ver a espiritualidade em meio a tanto caos. A idéia associada à paZ pode até estar correta. Mas aqui, ela tem um significado mais profundo. É muito fácil se sentir pleno e em paz quanDo nÃo se tem nada e nem ninguém ao seu redor. Mas encontrar a paz no meio de tanto caos que é o verdadeiro desafio, e é isso que proporciona Um real cresCimento espiritual – quando , apesar de todas as circunstâncias, todo o caos, sujeira , barulho e contradições, a sua alma está na mais pura serenidade. ExiSte um tipo de meditação chamada vipassana, onde se passa 10 dias sem sequer falar, sentado 12h por dia meditando, acordando às 5 da manhã. As pessoas que conheço que fizeram dizem que É uma experiência extremamente desafiAdora, pois seu corpo dói muito de ficar na mesma posição por tanto tempo todos os dias, e aparentemente o desafio é aprender A passar por cima disso e conseguir desligar sua cabeça de tudo – até da dor. Muita gente Não consegue completar os 10 Dias. Te convido a voltar mais uma vez e ficar por um pouco mais de tempo. Chega uma hora em que você aprende a aceitar que as coisas apenas são desse jeito, e a partir daí sua experiência muda, e você passa a enxergar apenas as coisas boas, em detrimento das ruins. Me lembro peRfeitamente um dia, voltando do trabalho, em meio a tanta poeira e barulho, eu percebi que sequer conseguia ouvir mais o barulho das buzinas, nada mais me incomodava.foi um dia muito revelador. Existe uma grande paz e espiritualidade que não se vê a princÍpio. Nos vizinhos que acordam às 5:30 da manhã para fazer yoga , meditação ou caminhada no parque. Nas crianças da ong que ajudo, que São soropositivas e não têm nenhum dinheiro e às vezes, nem família, mas mesmo assim são felizes.
    Na violência escassa – em um país onde existem mais pobres do que a população inteira do brasil, não se vê assalto, latrocínio, as casas não têm muros altos, câmeras ou cercas elÉtricas, e os vizinhos passam o dia todo com a porta literalmente aberta. Apesar da grande pobreza, aprende-se a viver com o que se tem, a ser feliz dessa maneira, com pouco, mas tudo. Esse, para mim, é o verdadeiro significado da espiritualidade, e talvez a maior lição de vida que se possa aprender aqui. Te convido a voltar e ficar mais, até sua mente se acostumar com o choque e te abrir um novo mundo de possibilidades :)
    Não sei se meu texto está em caps lock, aqui no celular aparece desse jeito.
    Um abraço e namastê!

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