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restaurante Maní – alta gastronomia com filosofia

Vou ser sincera.

Não foi o título de Restaurante do Ano, pela revista Prazeres da Mesa nem o fato de que subiu 23 posições e está na 51ª colocação do ranking World’s 50 Best Restaurants da revista inglesa Restaurant, que me atraia ao Maní.

 

O que me encanta no restaurante Maní da chef Helena Rizzo é a filosofia. Ela usa produtos nativos que vão dos produtores para a cozinha. O queijo da Serra da Canastra, arroz orgânico do Sul, farinha de mandioca pernambucana, a araruta do Recôncavo Baiano… Ela prioriza não só produtos orgânicos, mas saudáveis.

E a paixão. Helena foi modelo, largou tudo e correu atrás de uma nova profissão.

E a trajetória, a viagem, a busca. Durante anos, Helena ficou entre Brasil e Europa, explorando, pesquisando, se qualificando.

E a inspiração. A forma que ela cria, não é em um momento determinado. A partir de inconformismo, de um alento, vem a ideia de um prato, como a arte. Vem o insight e ela vai para a cozinha.

E a humildade. Não só Helena ficou surpresa ao me ouvir dizer que era um sonho conhecer o Maní, como ela falou de sua equipe. Mérito compartilhado.

O que falar do Maní?

Uma comida criativa e saborosa, onde se vê e se sente a presença de corpo e alma da idealizadora.

A naturalidade começa na decoração e transpassa até os ingredientes e a simpatia de Helena (e eu ainda não tinha me apresentado como blogueira, simplesmente disse que queria parabenizar a chef pessoalmente).

 

Nos fundos, ramos de uma árvore, caem como chuva. E uma escada me faz pensar que alguém sobe lá para cuidá-la.

 

Mesas de madeira, vasinhos de flores. Simples, mas nada simplista. Acolhedor.

 

Assim me senti, acolhida. Chegamos sem fazer reserva e a gerente logo nos sentou, cardápios à mão. Olhou para Carol, grávida, e disse que adiantaria uns petiscos, importante para quem está comendo por dois.

No corredor da entrada, ela prontamente juntou banquinhos e começamos a degustar umas entradas para enganar a fome.

 

Pedi a caipirosca de limão especial (R$25) com limão taiti, galego, rosa e siciliano com gelo de gengibre. Refrescante e deliciosa.

 

Bolinhos de quinua ao curry com geléia de aipo (R$23).

 

Mini caprese na colher de tomate cereja com mini burrata e manjericão (R$28). Uma delicadeza só.

 

Quando passamos para a mesa, chegou a cesta de pães do couvert com uma invenção deliciosa (quase viciante) – um enorme biscoito de polvilho que você passa na coalhada ou no queijo de cabra e só faz hmmmm.

O suco de capim limão estava uma delícia também.

 

O meu prato foi o peixe do dia (robalo) a baixa temperatura no tucupi (R$ 60,00) envolto em uma espuma leve que escondem pedaços de banana da terra, coberto com migalhas do Maní, uma farofinha leve e crocante. O prato respira Brasil, com estética e personalidade.

 

Pedimos também o quibe vegetariano com coalhada seca e tomate concassé, acompanhado de purê de batata com wassabi e saladinha Maní.

 

E o atum levemente grelhado com quinua, chutney de amoras, espuma de gengibre e shissô.

 

O que amei é que comemos super bem, saímos satisfeitas e felizes mas sem aquele peso nem a sensação de pecar por comer coisas rebuscadas, condimentadas, gordurosas.

De sobremesa, degustação de sorvetes artesanais: maracujá, carambola, biribiri e manga. Depois veio uma bola extra de açaí. Confesso que prefiro o sorvete de açaí do Mil Frutas, mas os outros estavam bem refrescantes e com um azedinho no ponto certo.

 

Não vejo a hora de ir no Maní novamente.

Helena, parabéns. Você está fazendo história gastronômica com raízes brasileiras.

Restaurante Maní
Rua Joaquim Antunes, 210, Jardim Paulistano
São Paulo – SP
(11) 3085-4148

6 thoughts on “restaurante Maní – alta gastronomia com filosofia

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