devaneios

Quando a vida te der sinais, desenhe o mapa.

Apesar de não ser autoridade no assunto, aos oito meses de viagem, mais divagadora que nunca, penso no meu caminho; nas buscas, falhas, recompensas, belezas, tristezas, riquezas e pobrezas, e me pergunto como seguir buscando e encontrando inspirações.

A estrada é a minha inspiração e nela vejo e sinto sinais. Sem querer ser nem remotamente alusiva a Paulo Coelho, penso em presságios.

É terrível o quão estereotipado eles podem ser, mas ainda acredito que é sempre bom levar na mala um pouco deles. Observar e cuidadosamente colecioná-los. Guardar em um lugar especial da mente.

Por mais banal que soe, a cada dia acredito mais que cada um de nós tem um propósito nesta vida, e cada um tem um caminho (por mais sinuoso que seja), esperando a gente botar o pé nele e a nossa concretização. E estes tais presságios nada mais são do que pequenos sinais que nos direcionam, sopram nossa bússola interna aqui e ali. Afinal, a estrada é longa demais pra sair perguntando a todos que cruzarem o caminho e não tem mapas à venda (isto seria terrivelmente tedioso). E se tem uma coisa que move nosso compasso como poucos é a inspiração.

No momento que botamos o pé na estrada sentimos inclinações, tendências e principalmente instintos que nos fazem ir mais para um lado do que outro. A cada esquina ou cruzamento, são estes sinais que nos auxiliam na escolha.

Não sei se estou mais atenta ou mais sensível, mas vejo como nunca o quão presente estes sinais estão na minha vida. E se antes eu andava na estrada obcecada por achar a virada correta, ao analisar (demais) o horizonte, deixei de ver as pedras e flores ao redor dos meus pés.

Claro, sinais nunca são óbvios. Isto também seria terrivelmente tedioso.

Quando penso nos momentos desta longa viagem, onde mais que nunca, aprendo a ouvir sensações, lembro de alguns como estes…

 

Arrepios. Sensível criatura que sou, eu me arrepio com qualquer linda história. Mas também tenho percebido que em certas instâncias é um sinal de algo que me toca profundamente, quando algo que eu amo ou me inspira sai do meu inconsciente para o consciente. Só de imaginar certos sonhos e planos, os cabelos levantam. Lembro quando meu pai contou a história de Vitor Levy que passou três anos viajando pelo mundo, meus braços eram pele de galinha. Meu corpo sabia, minha mente sentia.

 

Você já teve a sensação que conhece alguém há tempos? Que já esteve naquele lugar antes? Eu tenho esta sensação de familiaridade inexplicável de vez em quando e pode ter várias explicações. Eu posso ter de fato vivido aquilo em outra vida ou pode ser a vida me dizendo que aquele lugar, pessoa ou ideia já me é conhecida. Alice, a dona da guesthouse em Mandalay, Angelina, com quem já me esbarrei algumas vezes pelo mundo, o bem-estar que sinto na Tailândia, o desconforto que sinto em alguns países muçulmanos, a tristeza que vi na Jordânia, a falta de medo em Moçambique e outras tantas.

 

Não é à toa que o meu blog chama-se escapismo. É uma das atividades que mais faço – escapar mentalmente, sonhar acordada. Se você sonha repetidamente com algo, aquilo já é parcialmente real. Agora é só fazer com ele tome corpo e não silenciar aquele escapismo. Se tem alguém pra calar são as vozes da insegurança.

 

Eu sonho tanto, que muitas vezes acordo com a sensação de que nada descansei. Existem muitas teorias e interpretações para os sonhos, mas eu não tenho dúvida que eles são canais de comunicação com a nossa consciência e é uma forma de estar com pessoas que estão longe. Sonhos também dizem muito.

 

O que você faz que te faz perder a noção do tempo? O que você faz com prazer e facilidade? Coloque todos estas coisas na mochila também. Dar, receber, ouvir, escrever, pintar, mandar, observar, falar. Junte tudo, organize as peças, conecte os pontos e perceba o que pode te fazer bem e melhor ainda, te fazer feliz. O importante é não julgar algum talento natural como banal ou inútil.

 

Você já parou pra pensar quando foi que você deixou de acreditar nos seus sonhos? Eu tive um período desacreditado, deve ter sido entre os 15 e os 23 anos. Neste ínterim uma grande dose de forçais sociais tomaram conta dos meus sonhos e necessidades que há um tempo descartei. O que você gostava de fazer quando era criança? E se alimentássemos aquela criança? Regredir nunca teria sabor mais doce.

 

Se algo te move, te emociona, se pergunte porque. Você já sentiu as lágrimas escorrerem ao passear pelas ruas de uma cidade? Já sentiu uma sensação reconfortante em um lugar totalmente desconhecido e não necessariamente aprazível? Sentiu uma necessidade enorme de falar com alguém que pouco conhecia? Contou toda sua vida na primeira sentada com aquela pessoa? Estas emoções aparentemente estranhas as vezes crescem de um futuro ou presente e tocam seu passado.

 

E a sensação de leveza ao tomar uma decisão? Tem coisa melhor? Tenho aprendido a escutar o meu corpo que dá dicas sobre os desconfortos, pesos e apertos que a mente transmite. Muitas vezes ao decidir quão virada dar, algo parece não estar tão leve.

 

A verdade é que não é só você que quer encontrar seu caminho, a estrada também te busca. Por isso, os sinais aparecem de diferentes formas, proporcionando oportunidades de identificá-lo. Lembro de uma frase que minha amiga Camila me disse uma vez, quando eu planejava grandes mudanças na minha vida – “Quando o discípulo está pronto o mestre se apresenta.”

 

Ânimo. Explore o que te dá energia. Essa emoção com certeza diz muito sobre o seu caminho. Se temos a inspiração como nossa bússola interna, então a força enérgica que a move é a motivação. Siga nesta direção. Se você não vê o tempo passar, não consegue dormir ou parar de sonhar e falar naquilo, vá em frente, siga aquela inspiração.

E mesmo que a virada seja aparentemente errada, ela faz parte do caminho e é o aprendizado. Só paramos de viver quando paramos de aprender. E a viagem, ela nunca termina, apenas muda.

Quando a vida te der sinais, desenhe o mapa, coloque a mochila e parta.

3 thoughts on “Quando a vida te der sinais, desenhe o mapa.

  1. Adorei. Seu Devaneio inspirou-me a me inspirar!
    InspiraR-se Deveria ser um exercÍcio diário de cada um – um carinho pra alma, que proporciona saúde e bem-estar. me veio a cabeça uma frase dA Louise Bourgeois, que agora Entendo de maneira mais completa: “arte é Garantia de sanidade”.
    Obrigada, tEté! Por proporcionar a tantos de nós, inspiraÇão pra vida!

  2. Amiga, estava lendo seu texto com um senso de identificação incrível, arrepios e lágrimas nos olhos. Piorou quando meu nome apareceu, surpresa e sensação ainda maior de conexão!! incrível a nossa sintonia apesar de qualquer distância geográfica e oportunidade de sentar tete a tete para papear… Que o destino continue iluminando nossos caminhos, aumentando a nossa intuição e colocando pessoas e mestres incríveis nos trechos menos esperados! =)

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