Ásia

Paro e Thimphu, o 1o dia no Butão

De Katmandu, Nepal, pegamos um voo curto e de belo trajeto até Paro, no Butão.

Em um dado momento todos os passageiros ficam inquietos, comentando, tirando fotos e se movimentando, pois o comandante avisa que estamos atravessando a imponente cordilheira do Himalaia, onde está a montanha mais alta do mundo, o Everest.

voo Kathmandu Paro Butão cordilheira Himalaia

Pra continuar com a adrenalina, a pista de pouso do aeroporto de Paro é das mais difíceis de aterrissar, pois exige uma manobra cautelosa. Devido `a geografia do país, o avião entra em um vale rodeado de montanhas, ou seja, o aplauso ao finalmente tocar o chão é até justificado.

Vou confessar que minha efusão continuou até sair do aeroporto (ou não, ela nunca saiu de mim). Viajar para o Butão era um sonho antigo. Reinado exótico, conhecido pela medida de Felicidade Interna Bruta e cheio de curiosidades, meu coração batia mais forte e minha mente ainda não acreditava que eu estava em solo butanês, enfim.

Viajar para o Butão não é uma viagem trivial, pela localização e pelos requerimentos. O governo controla o turismo, não por ser um governo ditatorial como a Coréia do Norte, mas para preservar a cultura local. Chegar lá tem que ser através de uma agencia que providencie o visto, guia e pacote. Chegando lá, você está sempre acompanhado por guia. Não tem albergues nem esquema de visto na entrada. Tudo tem que ser planejado com antecedência e cuidado e paga-se uma taxa de turismo por dia.

Mas o que mais enchia meus olhos é que eu estava em um país totalmente diferente de todos os outros que eu já tinha estado e era um dos pontos altos da minha volta ao mundo.

o que precisa para viajar para Butão roteiro no Butão

roteiro no Butão

Como é obrigatório fechar um pacote pra viajar pelo Butão, ao sair do aeroporto nosso guia e motorista já estavam nos esperando.

Vestindo o traje típico, o gho, Tashi, nosso guia, colocou nos nossos pescoços o lenço branco tradicional que dá as boas-vindas, o kadar.

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Do aeroporto de Paro fomos para Thimphu, trajeto de 1 hora de carro por estradas sinuosas cheias de plantas de maconha, como comentei aqui, e belos povoados.

Sem descolar o olhar da janela, percebi que o país realmente preserva sua cultura e seria único naquele meu trajeto pelo mundo, a começar com o fato dos locais não usarem roupas ocidentais, eles usam o traje típico – gho para os homens e khira para as mulheres.

No caminho paramos na Ponte Tacho em Paro, meu primeiro encontro com a marcante arquitetura e já encantadora.

Ponte Tacho em Paro Butão roteiro no Butão

A arquitetura é uma característica importante não só da cultura, mas da identidade Butanesa. Única pelas formas, cores e desenhos decorativos, as superfícies de madeira são pintadas com motivos florais, religiosos e de animais, todos com sua simbologia.

O interessante é que nas construções normalmente não há planejamento prévio desenhado no papel. A construção simplesmente acontece, intuitivamente, com a estrutura e esboço na mente do mestre de obras.Ponte Tacho em Paro Butão arquitetura dzong roteiro no Butão

Ponte Tacho em Paro Butão arquitetura dzong roteiro no Butão

Nas construções pregos não são usados; as peças de madeira são entrelaçadas.

Esta arquitetura típica é vista por todo o país, nos seus dzongs (fortalezas), lhakhangs (templos), goenpas (monastérios), choetens (estupas), casas e pontes. Independente do estilo e época, a lei no Butão exige que todas as edificações sigam as regras e desenhos tradicionais no sua fachada.

Ponte Tacho em Paro Butão roupa típica gho roteiro no Butão

Cliquei centenas de vezes as bandeiras de preces, a fachada e as pessoas que passavam ali, ainda descrente que eu estava naquele tão desejado país. Voltei quase saltitando pro carro pensando, nossa, eu estou aqui, estou no Butão. Finalmente!

Ponte Tacho em Paro Butão bandeiras de prece roteiro no Butão

Ainda na estrada de Paro pra Thimpu, visitamos a Simtokha Dzong.

Simtokha Dzong fortaleza Thimphu Butão roteiro no Butão

Simtokha Dzong fortaleza Thimphu Butão roteiro no Butão

Simtokha Dzong fortaleza Thimphu Butão roteiro no Butão

Simtokha Dzong fortaleza Thimphu Butão roteiro no Butão

Simtokha Dzong fortaleza Thimphu Butão roteiro no Butão

Simtokha Dzong é outra bela fortaleza cujo o nome oficial ‘Sangkak Zabdhon Phodrang’ significa Palácio dos Significados Profundos dos Mantras Secretos. Construído em 1629, dizem que foi o primeiro dzong do Butão e porta de entrada para o Vale de Thimphu. O nome Simtokha vem da palavra sinmo (demônio) e do (pedra). Diz a lenda que o local foi protegido de um demônio que fugiu pelas pedras.

 

Depois de almoçar no restaurante Bhutan Kitchen (com arroz, frango, verduras e muito chili), partimos para o Memorial Chorten.

cerveja Butão

comida típica do Butão

 

O Memorial Chorten, conhecido também como Thimphu Chorten, é um monastério budista tibetano e um marco na cidade com seus sinos e cumes dourados.

Mandalas, estátuas tântricas e um santuário decoram o monastério, refletindo a paz das figuras budistas.

Thimphu Chorten monastério budista tibetano Butão roteiro no Butão

Thimphu Chorten monastério budista tibetano Butão roteiro no Butão

 

De lá, passamos pra ver a enorme estátua de Buda, o Buda Dordenma.

Esta estátua de Shakyamuni (Siddartha, o Buda) tem mais de 50 metros de altura, ou seja, uma das maiores estátuas de Buda no mundo. Ela é feita de bronze e coberta de ouro. Colocada no topo de um morro, tem vista para o Vale de Thimphu e dizem que cumpre a profecia de emanar uma aura de paz e alegria para o mundo todo.

Buda Dordenma Thimphu Butão roteiro no Butão

Mesmo que um não acredite é uma mensagem bonita, cheia de esperança. Este é o clima do Butão. Paz.

Terminamos o dia com uma caminhada pelo centro de Thimphu, passando pelo mercado de artesanato onde estão as cores vivas e belas estampas do trabalho manual butanês.

Thimphu Butão roteiro no Butão roupa típica do Butão

mercado de artesanato Thimphu Butão roteiro no Butão

mercado de artesanato Thimphu Butão roteiro no Butão arte estampas

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mercado de artesanato Thimphu Butão roteiro no Butão arte estampas

Aguardem os próximos posts com o resto do roteiro por este país incrível.

10 thoughts on “Paro e Thimphu, o 1o dia no Butão

  1. Que delícia de viagem!! O Butão está na minha wish list. Queria saber sobre os preços de visto, estadia e aliimentação pra ter uma ideia de custos. sei que é um destino caro. abraços e vou esperar os próximos posts.

  2. Sonho muito em conhecer o Butão e há bastante tempo. Depois de ler o livro de lá para o #198livros minha vontade só aumentou! Vou deixando para depois porque sei que é caro, mas sabe que acho até difícil planejar uma viagem para lá? Sei o básico, a questão do valor mínimo e tal, a exigência do pacote completo, mas entro no site oficial e há uma lista enorme de agências, fico até perdida. Não sei nem quanto sairia uma viagem para ficar nos hotéis mais simples ou nas casas dos butaneses! Um dia eu crio coragem e desvendo aqueles links com calma. ;-)

  3. Depois de ver varias pessoas admiradas com o butao, comecei a pesquisar e ler mais sobre o local para ver a possibilidade de ser o meu proximo destino. Aguardo os teus proximos post. Que sites vc indica para esta viagem? Quantos dias vc sugere no butao? Aguardo teus comentarios e aproveito para te desejar uma otima jornada. Abs Neiva do sul do brasil

    • Oi Neiva, obrigada pela visita. Eu sugiro pelo menos 4 dias no Butão. Não tenho sites específicos para recomendar, pesquisei bastante e fiz minha viagem com uma operadora no Nepal. postarei mais informações em breve! abs

  4. gostei de acompanhar a tua viagem ao butão. Também lá estive 11 dias em setembro/outubro, por altura dos festivais. Vi vários e gostei. Já dei mais de dez voltas ao mundo, já visitei 78 países e, de facto, o butão está no top dos 5 mais interessantes e curiosos. Envio-te o link do meu blog para que possas dar uma espreitadela e deixar alguma mensagem se assim o entenderes.
    Boas viagens!!!… abraço, alfredo
    http://alfredo-moreirinhas.blogspot.pt/search/label/Butão

    • Olá Alfredo,
      obrigada pela visita. que bacana estas suas voltas ao mundo! O Butão é mesmo único. Acabo de ler o livro Radio Shangri-La, escrito por uma jornalista que morou lá.
      Abraço

  5. Tive conhecimento do Butão pelos olhos de Liza Nápoli, no livro Rádio Shangri-lá. A cada página que lia, fechava os olhos e caminhava com ela pelas ruas,peloscaminhos da felicidade e uma sensação de paz transbordava em mim, eu podia mesmo em pensamento viajar pelo seus vales, montanhas, e rios, foi algo incrível,não acontecido em outras leituras de forma tão intensa,um desejo intenso de estar lá, fez com que durante meses sonhasse com este lugar encantado, onde eu pude sentir que de uma maneira simples a felicidade fluia por todos os caminhos.
    sei que este sonho se torna cada vez mais distante,mas não para a minha alma.que sempre está em busca de alguma nova lição do quão pouco nos basta para ser feliz.
    adorei encontrar sua página e saber um pouquinho da sua experiência. e espero que sempre poste novas fotos,comentários. Obrigada por compartilhar sua vivência no butão.felicidades

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