estados unidos

Komi, um restaurante cheio de personalidade e inovação em Washington DC

Nesta minha estadia conheci um restaurante espetacular em Washington DC. Se não é o melhor da cidade, o restaurante Komi é sem dúvida o mais detalhista, pessoal e surpreendente.

O Komi tem tudo para ser excêntrico e cheio de pompa. Poucas mesas, menu degustação, só aceita clientes com reserva e serve mais de 15 pratos. Mas não é.

Os garçons e sommelier são simpáticos e quase teatrais. Falam com eloquência e paixão sobre pratos e bebidas, motivação é pouco para descrever.

O que me chamou a atenção é que apesar do menu degustação custar US$135, o vinho mais caro da carta custava US$160, quando poderia cobrar muito mais.

Esse posicionamento, me parece, vem do chef e proprietário que não gosta de holofotes.

O chef Johnny Monis não faz propaganda não tem assessoria de imprensa. Quase não aparece em público e pouco sai da cozinha.

Diferente de chef jovens, Monis não trabalhou na cozinha de chefs renomados. Alias, ele tem uma formação bem fora do padrão para a indústria. Começou um curso de gastronomia na Carolina do Sul, mas não se graduou e alega só ter comido em um restaurante fino quando estava na faculdade.

Mais tarde ele comprou uma townhouse na 17th Street, perto de Dupont Circle em Washington DC com recursos próprios, viabilizou o negócio e começou a cozinhar.

O Komi passou por uma reforma, mas ao invés de aumentar, diminuiu, menos mesas, jogou fora o menu a la carte e criou o menu degustação com preço fixo, que hoje custa U$135.

E assim deu o pulo do gato, de promissor para um bom restaurante e em seguida, de bom para ótimo.

A influencia é grega, com os primeiros pratos sendo mezzes – pratos leves, para compartilhar na mesa com muito peixe e frutos do mar.

Os pais de Johnny Monis são gregos. Komi é o nome da praia na ilha de Hios onde eles se conheceram.

Nesta noite eu consumi cerca de 16 pratos, sendo alguns de apenas uma ou duas mordidas.

Como comentei, não há cardápio, você só diz se tem alguma alergia ou restrição alimentar e se prepara para uma festa gastronômica quase espartana, quase uma orgia, que se movimenta pelos grupos alimentares e vai cativando o paladar. De leve para complexo para doce. Uma verdadeira “parade” (parada, desfile) como eles mesmo dizem.

Comecei com uma champagne rosé Schramsber 2008, e parei de fotografar por aí. O restaurante proíbe foto dos pratos. Uma pena porque são verdadeiras obras de arte, designs delicados e curiosos, de uma cozinha avant garde.

Alguns dos pratos que comi:

Brioche de bacalhau, que quando chegou, fui anotar no meu caderninho e o garçom se aproximou e disse “este prato é sensível ao tempo, terei que retirar e trazer um novo”. Surpresa, só respondi “of course”.

Hamachi (peixe japonês) e ouriço.

Fatias finas de vieiras e fígado de peixe tamboril.

Sardinhas marinadas no tempero do schwarma cobertas com pasta de caranguejo.

Bolinho de spanakopita que tem que ser comido em uma mordida só, ela quebra e derrete na boca.

Gnocchi de yucca com caviar.

Sanfona de flatbread (tipo de pão fino) com língua de Wagyu (kobe beef da Califórnia). Foie gras e mini salada grega (de uma garfada só).

Hot dog harmonizado com cerveja artesanal de Baltimore chamada Stateside Saison Stillwater. Uma quebra divertida no cardápio.

Tâmaras recheadas de mascarpone. Surpreendentes e sensacionais!

Rigatoni com alho poró selvagem.

E os pratos principais foram o leitão e o cabrito, ambos lentamente assados. As carnes estavam macias e desmanchavam, servidos com tzatziki (o melhor que já comi), sal de limao, molho de pimenta e outro de abacate.

Para acompanhar as sobremesas, pedi um Tokaji Cuvee 2003 Kiralyudvar.

Chegou primeiro um mousse de toffee Butterscotch.

Depois a canelopita – um tipo de cinnabon bun com iogurte.

Ambos maravilhosos.

Com a conta, vieram pirulitos feitos em casa e pequenos chocolates recheados de caramelo e flor de sal em cima.

Que refeição! Arte, design, gastronomia, pesquisa de ingredientes e muita surpresa agradável no paladar. Um restaurante inovador cheio de personalidade.

Quando posso voltar?

Antes de sair, passei pela cozinha para parabenizar o chef, que foi simpático e receptivo, me contou um pouca da cozinha, ingredientes e a equipe.

Faça uma reserva e lembre-se que passará pelo menos 2 horas e meia nesta experiência gastronômica.

Restaurante Komi
1509 17th Street, NW
Washington, DC 20036
+1-202-332-9200

 

2 thoughts on “Komi, um restaurante cheio de personalidade e inovação em Washington DC

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