Ásia

fatos e curiosidades sobre o Butão

Neste últimos dias realizei o sonho de conhecer o Butão.
Butão? Ahn? Botão de que roupa?

Este pequeno reinado cercado por terra na Ásia, aninhado no leste do Himalaia, fazendo fronteira com a China no norte e a Índia no sul, é considerado um dos países mais isolados do mundo. O governo butanês regula estritamente as influências estrangeiras e o turismo pra proteger e preservar a identidade, cultura e meio ambiente do país.

O Butão é único, intrigante, fascinante, diferente. Me fez pensar, indagar, refletir e literalmente me tirou o ar – bela beleza e pela subida de escadas a 3.100 metros.

 

Aqui vão alguns fatos interessantes e curiosidades sobre este misteriosos reinado no Himalaia:

Nenhum turista pode ir por conta própria para o Butão. O visto só é concedido através de um hotel ou empresa de turismo que faça um pacote para o turista, e ele será acompanhado por um guia e motorista em todos os momentos.

Para estar no Butão, paga-se uma taxa de turismo e conservação por dia e não existem categorias de acomodação inferiores como albergues ou guest houses, você se hospeda lá, no mínimo em um hotel 3 estrelas.
E seu guia estará lá, todas as manhãs te esperando.

A forma tradicional de receber um visitante e dar as boas-vindas é colocando um lenço ao redor do seu pescoço, o “kadar”.

Um dos 43 países cercados por terra, o Butão é do tamanho da Suíça, e é a democracia mais jovem do mundo (teve sua primeira eleição em 1998).

Existem 3 grupos étnicos e 16 dialetos em um país de apenas 38 mil metros quadrados e 700 mil habitantes. Apesar de vários dialetos, o idioma oficial, falado por todos é Dzongkha.

A palavra Butão, que no idioma local é Druk, significa “terra do dragão do trovão”, por conta das tempestades violentas do Himalaia.

Você raramente vê os locais com roupas ocidentais. A grande maioria se veste com os trajes tradicionais, os homens vestem o gho, uma espécie de roupão amarrado na cintura e as mulheres usam a khira, um vestido estampado amarrado com broches e um blazer por cima, chamado toego.

A comida típica do Butão é o ema dhatsi, queijo com chili (bem picante) servido com arroz. Eles comem isso 3 vezes ao dia. As vezes comem alguma carne acompanhando. O curioso é que como os budistas não podem matar, toda carne e peixe vem da Índia. Curioso também é que os budistas aqui comem carne, contanto que não matem o animal. O chili, comida diária, é mais cara do que a carne, pois a demanda é maior do que a oferta. O ema dhatsi é gostoso mas é muito picante. Muito picante.

A base da economia é o turismo, agricultura e energia hidroelétrica. Não tem indústrias no Butão.

Plantas de maconha são encontradas por todo o Butão, nas ruas, jardins, em todo lugar. Elas crescem naturalmente. Contrário do que eu imaginava, a maconha não é usada para motivos medicinais (como na Califórnia), ela é usada por diversão, e muitos a chamam de “happiness plant”, fazendo alusão à política da Felicidade Interna Bruta, criação do Butão. Não é permitido fumar em público, só em casa.

Falando em fumar, o Butão é o único país do mundo onde é proibido vender cigarro. Claro que tem um mercado negro, e claro que eles fumam escondido.

Muitos butaneses tem problemas nos rins, por conta de comer uma coisa estranha e por não beber muita água. Eles mastigam uma folha com uma noz e uma pasta de carbonato de sódio, um estimulante que afeta os rins. Médicos são importados para o tratamento dos rins.

O Butão tem um problema sério de cachorros de rua. Nunca vi tantos. À noite eles latem desesperadamente. Se seu sono é leve, leve protetor de ouvido.

Perguntei por aqui o porque disso, e a primeira resposta foi “nós, budistas, não podemos matar nada, nem um inseto”. Eu respondi “ninguém está falando em matar, estou falando de cuidar e não abandonar”. Me responderam que muitos donos de cachorros abandonam os filhotes da ninhada por não poder cuidar de muitos cachorros. Não contive o pensamento – um dos pilares do budismo é viver em harmonia com a natureza, mas isto não significa apenas não matar. E o cuidar? Não é apenas deixar de cortar árvores, não caçar animais, é também cuidar, seja castrando seu animal e não abandoná-los. Nem os budistas são perfeitos.

E falando em falta de perfeição… Nem os monges são mais tão desapegados. Eles usam tênis, smartphone, câmeras, viajam pra suas peregrinações e querem se comunicar, se conectar e fotografar. É intrínseco do ser humano, como já falei aqui algumas vezes. Claro que você vê monges descalços nos templos, de cabeça raspada, estudando, recitando mantras. Mas você também vê pelas ruas, nos aviões, falando no celular, com apetrechos que talvez não imaginasse.

E por falar em natureza… O Butão é o primeiro país do mundo a ter obrigações constitucionais no seu povo sobre a preservação do meio ambiente. Uma dessas medidas é que 60% do país tem que estar coberta de florestas. O país é de fato muito verde.

Diferente do Nepal, onde a mudança de altitude é gradativa, no Butão ela é brusca. Por isso, muitas pessoas têm o mal da altitude ou dores de cabeça fortes, principalmente nos trekkings.

E falando no mal da altitude… Diferente do Peru, onde tem a folha da coca e o chá da folha pra melhorar os efeitos da altitude, no Butão não tem nenhum remédio natural pra isso. Com tanta sabedoria, no pé do Himalaia, eu imaginava que teriam algum segredo pra isso, mas não.

Em muitas casas, hotéis e restaurantes você vê esculturas e pinturas de pênis. No Butão isso não é pornografia, é pra afastar os demônios e espíritos ruins. Esse símbolo é baseado numa lenda onde um mestre tibetano que passou muito tempo no Butão conseguiu afastar um demônio usando o seu pênis. Ele também um símbolo de fertilidade e boa sorte. A história é longa, contarei em outro post.

 

A população do Butão é 700.000, onde 100.000 são monges e apenas 8.000 são militares. Um terço da população tem menos de 15 anos, a idade média é 22 anos. Fiquei surpresa – onde está a geração sábia que passa esse código de conduta e patrimônio culturas? Ou morreram de problemas renais ou não sobreviveram o assédio dos demônios (ouve-se muito sobre demônios e espíritos por lá).

Thimpu é uma das poucas cidades da Ásia onde não há sinal de trânsito (dizem que Pyongyand na Coréia do Sul também não tem, alguém confere?). Magicamente, o trânsito não é caótico como em Katmandu. Tem oficiais de trânsito pra evitar acidentes.
A montanha mais alta do Butão, Gangkhar Puensum, com 7570 metros, é a montanha mais alta que nunca foi escalada até o cume.

Parte da etiqueta butanesa é recusar qualquer comida oferecida. O educado é cobrir a boca com as mãos e resistir até a terceira ou quarta vez.

O grou de pescoço preto, pássaro nativo ameaçado de extinção, é extremamente protegido. Aquele que for condenado por matar um grou no Butão, terá a sentença de prisão perpétua.

O Butão foi um dos últimos países a apresentar a televisão para seu povo. TVs eram proibidas até 1999 e a internet, por volta dessa época também.

Este pequeno reinado ficou famoso por integrar na sua política e economia o indicador da Felicidade Interna Bruta (FIB). Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento visam o crescimento econômico e medem o Produto Interno Bruto, o Butão, apesar de fechado e isolado em outros aspectos, inovou com com o conceito de FIB. A base desta medida é que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade acontece em equilibro com a cultura, o meio ambiente, e a maneira como o povo vive. O Butão acredita que o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material tem que acontecer simultaneamente, complementando e reforçando-se.

Os pilares da Felicidade Interna Bruta são:
- Desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário. Todos tem aonde morar, acesso a serviços de saúde e educação.
- Preservação e promoção dos valores culturais. As lendas, as vestimentas, a arquitetura, a religião, as tradições são mantidas e são óbvias por onde você vai.
- Conservação do meio ambiente. Florestas e animais são protegidos com as leis.
- Boa governança.

É difícil medir a felicidade de um povo, mas dizem que por lá, pelo menos as necessidades básicas são atendidas, um alicerce importante para promover uma vida mais feliz. Mas, no fundo, somos seres humanos, todos iguais, complexos. Não estamos livres de muitas questões que nos atormentam. Será que o povo do Butão é realmente assim tão feliz como seu governo prega, ou como tenta transformá-lo? Comentarei esta indagação que tanto fiz em outro post.

11 thoughts on “fatos e curiosidades sobre o Butão

  1. Prima, que lugar lindo!! Temos que ensinar aos butaneses a castrar seus animais e cuidar deles!!
    Acho que a CULINÁRIA deles pe perfeita para mim, com muito chili!! rsrs

  2. Parabéns pelo trabalho desenvolvido, uma visão crítica e real da viagem ao butão , sendo que a busca de uma sociedade perfeita cada vez se afasta mais da realidade .

    Talvez a melhor seja aquela que esteja ao nosso alcance e que devamos construir a cada dia, lógico que aprender com a experiência milenar faz com que encurtemos os caminhos e os erros que cometermos .
    Estou viajando para fazer um Treeking de 08 dias no interior, quem sabe a realidade seja um pouco diferente nas comunidades . Quanto a culinária vou levar sopão em pó , sou liberal mas pimenta e curry não dá , rsrs .

  3. gostei muito da reportagem,pois me interessei,porque eu so apelidado aqui na minha ciadade maragogipe, por butao ,desde os meus 13 anos de idade.devido ao futebol de mesa conhecido por futebol de butao.

  4. Olá
    Fiquei fascinado com as curiosidades sobre o butão.. Moro em São Paulo e gostaria de saber por qual agência você fez o pacote. sou louco pelo país há muito tempo e tenho sonho de conhecê-lo também.

    abraços

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