carta para Cindy, a dor e delícia de ser agente de viagem e porque viajo

porque viajo

Cindy é uma amiga chinesa. Nos conhecemos em 2006 quando éramos voluntárias em uma ONG e viajamos para diferentes países. De lá pra cá nos correspondemos por cartas e quando ela consegue (devido ao controle da internet pelo governo chinês), por email e pelo Facebook. Cindy me escreveu uma carta recentemente e esta é a minha carta pra ela. Querida Cindy, Obrigada pela carta e pelo cartão postal enviados para meu aniversário. Eles trouxeram um sorriso sincero para o meu rosto. Em tempos como estes, onde as pessoas vivem ocupadas, não têm tempo pra nada, e não conseguem desgrudar dos Continuar lendo…

vida de graças

imagem: Pinterest

Ontem (e hoje) foi o feriado de Thanksgiving nos Estados Unidos. Dia ação de graças, como traduzimos. Esta quinta feira leva este nome porque depois de um ano de cultivo pobre e um inverno castigador, mãe natureza agraciou os colonos com uma farta colheita de milho. Para celebrar, eles criaram uma espécie de festival de outono como um dia de agradecimento. A festa teve muito milho, mas também outras comidas, como e peru, que é o prato principal deste jantar nos dias atuais. Thanksgiving day, o Dia de Ação de Graças, não teve fundo religioso na sua concepção. Ele foi Continuar lendo…

vida temporária

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Sentada na sala da minha nova casa percebo como minha vida já é assustadoramente menos temporária. Esta cidade, este trabalho, esta roupa, esta rotina, este frio. Tantas vezes falei e vivi com a frase “é temporário”. Outros planos. Algo mais emocionante, algo mais animador virá. Outra vida. O temporário é um band-aid na bolha do pé, que nos faz andar uns passos a mais, uns dias a mais. Ele até nos faz sentir melhor sobre onde estamos. Afinal tem algo maior e melhor mais adiante. Algo novo a nossa espera. Ele nos faz acreditar que as marés nos levam a Continuar lendo…

Machu Picchu – mistério e misticismo

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“Percebo que você é muito sensível.” Disse o guia com um tom sereno. “Vejo que está admirada e triste. Somos um povo melancólico e calado, mas com coração cheio de amor. Nosso carinho sai pelas palavras. Nossas crianças riem, porque a vida delas está apenas começando. Nós, os mais velhos, já sentimos tantas coisas, e talvez por isso o sorriso vem se apagando. Mas a alegria ainda existe, lá dentro.” Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas, aninhada no alto da montanha, abraçada pela névoa, é um sítio arqueológico cheio de mistério e misticismo, onde tantas pessoas vão em busca Continuar lendo…

felicidade é… viajar. e voltar.

oferenda em Bali

Oito anos mais tarde eu reencontrava com uma amiga na sua terra natal, Hong Kong. Na nossa conversa eu comentava o quanto eu gosto da imagem de um pássaro. Ela perguntou se eu sabia da história do pássaro azul e a felicidade. “Você, viajante, precisa conhecer a história do pássaro azul.” Existe uma lenda que diz que umas crianças partiram para o mundo em uma longa viagem, buscando determinadamente um pássaro azul. Rodaram o planeta passando frio, calor, chuva, subiram montanhas, cruzaram rios, atravessaram oceanos. Ao voltar pra casa eles encontram o pássaro azul no próprio jardim da casa de Continuar lendo…

o retorno da volta ao mundo

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Voltei de viagem. Foram 363 dias, 32 países e não sei quantas cidades… Ainda vou contar. Tá na minha lista interminável de coisas pra fazer. Nunca tive um filho ou fiz festa de casamento pra chamar de melhor dia da minha vida, mas posso dizer com muita solidez que 2013 (e um pouco de 2014) foi o melhor ano da minha vida. Foi o ano em que decidi fazer uma pequena degustação do mundo. Sim, pequena, porque quanto mais viajo, mais percebo que tenho tantas outras entradas, pratos principais e sobremesas pra saborear nesse nosso majestoso planeta. Ao voltar, lutando Continuar lendo…

Yoga Barn – um centro de bem-estar em Bali, Indonésia

retiro de ioga yoga Yoga Barn Ubud Bali Indonésia

Um dos meus planos nesta viagem volta ao mundo era fazer um retiro de ioga na Índia. Mas não aconteceu. Não estou (nem minimamente) menos satisfeita com a minha estadia lá por conta disso e há bastante tempo fiz as pazes com o fato de que não dá pra fazer tudo, não dá pra ver tudo. Quando saio de um lugar e penso no que faltou ver e fazer, penso com delicadeza e carinho nas lindas razões pra voltar e instantaneamente meu coração se enche de esperança de rever o que fez encher os meus olhos e descobrir o novo Continuar lendo…

o piano de Mathias – Queenstown, Nova Zelândia

Mathias Piano Man Queenstown Nova Zelândia

Andando pelas ruas de Queenstown, Nova Zelândia, em direção à beira do lago, uma das vistas mais belas que já vi, fui atraída pelo som de um piano. Um jovem esguio, cabelo desconchavado, com apenas uma suéter de crochê sob os ombros pra proteger daquele vento frio, movimentava seus dedos criando uma melodia que magnetizava. Uma garrafa de refrigerante de gengibre se equilibrava no topo do piano, as ondas do lago batiam com alento e casais se abraçavam ao som daquela composição. Lembrei de Ludovico Einaudi, meu pianista favorito. Desviando dos turistas chineses que não parava de clicar suas câmeras Continuar lendo…

Obrigada, 2013.

feliz 2014

Nestes nove meses de viagem pelo mundo foram inúmeras as lições que me chacoalharam, me deram um tapa na cara, trouxeram paz no meu coração, massagearam minha alma, me jogaram um balde de água gelada, me paralisaram, me provaram que é inútil julgar, ampliaram meu espectro, aumentaram minha humildade, intranquilizaram minha mente. Hoje, ao dar as boas vindas a 2014, me despedindo de 2013 como aquela criança expatriada que já fui, no aeroporto dando o último tchau para os avós depois dos meses de verão, percebo que a maior lição de todas continua sendo a gratidão. E você poderia dizer, Continuar lendo…

minha saudade mudou

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Comecei a escrever uma carta para meus avós, era pra ser sobre a Tailândia, mas acabou virando um ensaio sobre a vida de uma viajante, uma confissão sobre novos sentimentos, uma abordagem nova para antigas dores. Escrevi sobre a saudade. Sobre como minha relação com este sentimento vem mudando. No final, me dei conta que ao despejar meu coração com meus devaneios, nascia outro post para o escapismo. Então passei as palavras escritas a mão para a tela do computador e resolvi dividir com vocês, afinal escrever é isso – cauterizar as feridas ao abri-las. Queridos Vó e Vô, Dia Continuar lendo…